INPI projeta expansão da propriedade intelectual no Brasil até 2030.
Um estudo que coloca a propriedade intelectual no centro da economia
A principal virtude da iniciativa do estudo “Cenário econômico da PI no Brasil” , pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), é tratar a propriedade intelectual não apenas como matéria ou jurídica administrativa, mas como parte integrante do ambiente econômico. O estudo mostra que os depósitos de patentes, marcas, desenhos industriais e programas de computador respondem, em maior ou menor medida, aos movimentos de crescimento, do investimento, da atividade industrial e da inserção externa da economia brasileira.
Essa abordagem reforça a compreensão de que os ativos intangíveis ocupam papel cada vez mais central na competitividade empresarial e na formulação de políticas públicas voltadas para a inovação.
Três fases da economia brasileira ajudam a explicar a dinâmica do PI
Para construir sua análise, o INPI organiza o panorama recente da economia brasileira em três grandes períodos.
O primeiro corresponde à recuperação pós-recessão, entre 2016 e 2019.
O segundo abrange o choque econômico provocado pela pandemia, entre 2020 e 2022.
O terceiro contempla a expansão recente com desaceleração, entre 2023 e 2025. Essa divisão permite compreender de forma mais precisa como diferentes conjunturas influenciaram o comportamento dos ativos de propriedade intelectual no país.
No diagnóstico retrospectivo, o estudo aponta que a economia brasileira saiu de uma recessão profunda, causou uma ruptura provocada pela Covid-19 e, posteriormente, consolidou uma recuperação cíclica ainda limitada por entraves estruturais, como baixa intensidade de investimento e fragilidade industrial.
Nesse contexto, os ativos de PI acompanharam de maneiras distintas essa trajetória, revelando o quanto a inovação, a estratégia empresarial e o ambiente macroeconômico estão conectados.
Patentes, marcas e software revelam forças diferentes da economia
O estudo mostra que cada modalidade de ativo de propriedade intelectual responde a fatores próprios.
As patentes mantiveram relativa estabilidade ao longo do período, com expansão em áreas como biotecnologia, farmacêutica, química e tecnologia da informação.
As marcas tiveram forte dinamismo, impulsionadas pela expansão do e-commerce, do setor de serviços e da digitalização dos negócios.
Os desenhos industriais acompanharam mais de perto o ciclo econômico, especialmente em setores intensivos nesse tipo de proteção, como moda e móveis.
Já os programas de computador se destacaram por crescimento contínuo e maior resiliência, refletindo a ampliação acelerada da economia e a difusão de novas soluções tecnológicas.
Esse retrato é importante porque evidencia que a propriedade intelectual não é inorgânica. Cada ativo responde a estímulos diversos e revela dimensões específicas do desenvolvimento econômico sustentável. Em outras palavras, o estudo mostra que olhar para o PI é também olhar para as transformações da base produtiva brasileira.
Projeções até 2030 apontam expansão contínua dos ativos de PI
Um dos pontos de maior interesse do relatório está na análise prospectiva para o período de 2026 a 2030. Com base nas expectativas do mercado consolidadas pelo Relatório Focus do Banco Central, o INPI projeta crescimento moderado do PIB, inflação sob controle, investimento ainda contido, recuperação gradual da produção industrial e manutenção de um câmbio relativamente depreciado.
É nesse cenário que a demanda por proteção de ativos de propriedade intelectual deverá continuar crescendo no Brasil.
As declarações indicam que os depósitos de patentes deverão crescer 3% ao ano, chegando a 34.196 pedidos em 2030.
As marcas devem alcançar 704.159 pedidos, com expansão média anual de 6,9%.
Os desenhos industriais deverão superar a marca de 10 mil depósitos, ainda que em ritmo mais moderado, com crescimento de 0,5% ao ano.
Já os programas de computador aparecem como os segmentos mais acelerados, com projeção de alta de 15,6% ao ano, alcançando 14.822 registros em 2030.
Os números revelam um sinal positivo: mesmo em um contexto de crescimento econômico moderado, a propriedade intelectual tende a se expandir, mostrando vitalidade do ambiente de negócios, continuidade da transformação digital e valorização dos ativos intangíveis.
Software desponta como vetor mais dinâmico da transformação tecnológica
Entre todos os ativos investidos, os programas de computador chamam atenção pelo ritmo mais intenso de crescimento projetado. O dado confirma uma tendência já óbvia no mercado: o avanço da economia digital, da automação, das plataformas e da inovação baseada em software transforma esse ativo em um dos principais motores da nova economia.
O estudo confirma justamente que a atividade econômica pode acelerar a transformação tecnológica, tornando o registro de software um dos indicadores mais expressivos dessa mudança estrutural.
Esse ponto é especialmente relevante porque reforça a necessidade de se pensar a propriedade intelectual em sintonia com as novas dinâmicas da economia do conhecimento, em que a tecnologia, os dados, a inovação incremental e as ações digitais ganham protagonismo cada vez maior.
Metodologia robusta fortalece a adição do estudo
Outro destaque da publicação está em sua construção metodológica. O estudo adota uma estratégia empírica baseada na seleção de variáveis econômicas com capacidade explicativa sobre os depósitos de ativos de PI, buscando maior acurácia preditiva e aderência a cenários alternativos.
Para patentes , foram selecionados o volume das exportações, a taxa de câmbio real e o IBC-Br.
Para marcas , o modelo utiliza PIB, Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), produção industrial e uma dummy variável ligada à nova tabela de retribuições do INPI em 2025.
Para desenhos industriais , ambos FBCF, produção industrial e uma dummy relacionada à incorporação das estatísticas do Sistema de Haia.
Já para programas de computador , foram usados o IBC-Br e o índice de produção industrial.
A escolha dessas variáveis mostra cuidado técnico e inteligência analítica. Ao considerar que cada ativo possui determinantes econômicos próprios, o estudo evita simplificações e amplia a consistência de suas conclusões.
Aqui, não se trata de uma leitura genérica sobre a propriedade intelectual, mas de uma modelagem que respeita as diferenças entre os instrumentos e seus respectivos contextos econômicos.
Modelagem econométrica amplia a utilidade para políticas públicas
No plano econométrico, o estudo adota modelos do tipo SARIMAX , capazes de combinar componentes autorregressivos, médias móveis, diferenciação, sazonalidade e variáveis exógenas. O anexo metodológico informa ainda que os modelos foram estimados por verossimilhança máxima, com seleção baseada em critérios de informação, validação fora da amostra e avaliação de desempenho por erro percentual absoluto médio. Também registra que modelos univariados do tipo ARIMA tiveram desempenho inferior, enquanto a inclusão de variáveis exógenas gerou ganhos de precisão.
Esse aspecto é decisivo porque confere maior robustez às projeções e transforma o estudo em instrumento útil não apenas para análise conjuntural, mas também para planejamento institucional e formulação de políticas públicas. Ao permitir a construção de cenários condicionais, a metodologia adotada amplia o valor prático do trabalho e fortalece sua relevância para gestores, pesquisadores, empresas e operadores de direito.
Uma iniciativa que qualifica o debate sobre inovação no Brasil
Ao lançar o estudo, o INPI reafirma seu papel como instituição que não apenas administra direitos de propriedade industrial, mas também produz inteligência pública sobre o ecossistema de inovação. Esse movimento é altamente positivo porque contribui para elevar o nível do debate nacional sobre propriedade intelectual, aproximando o tema das agendas de desenvolvimento, política industrial, transformação digital e competitividade internacional.
Num país que ainda enfrenta desafios estruturais para sustentar o crescimento de longo prazo, a leitura econômica da propriedade intelectual torna-se uma ferramenta estratégica. Ela permite identificar tendências, antecipar movimentos e orientar decisões com base em evidências.
Nesse sentido, o estudo “Cenário econômico do PI no Brasil” se destaca como uma publicação importante, atual e necessária.
Por que esse estudo é importante agora
Em um cenário global marcado pela centralidade da inovação, da tecnologia e dos ativos intangíveis, compreender a propriedade intelectual a partir de fundamentos econômicos é mais do que uma escolha metodológica: é uma exigência institucional. O estudo do INPI mostra que o Brasil dispõe de instrumentos para construir esse olhar mais sofisticado e integrado.
Ao projetar o comportamento dos ativos de PI até 2030, o documento oferece não apenas números, mas uma agenda de reflexão sobre o futuro da inovação brasileira.
Para ter acesso integral ao estudo “Cenário econômico do PI no Brasil” CLIQUE AQUI

