Advocacia aumentada com IA: sem governança, a eficiência pode se transformar em risco jurídico
Inteligência artificial transforma a advocacia e coloca a governança jurídica no centro do debate
Novo artigo de Marcos Wachowicz e Luciana Reusing Wachowicz analisa os riscos, as responsabilidades e os desafios institucionais do uso da IA generativa na prática jurídica
A inteligência artificial generativa já não é apenas uma promessa de inovação para o setor jurídico. Ela está presente na elaboração de documentos, na análise de informações, na organização de processos e no apoio à tomada de decisões. Entretanto, quanto maior a capacidade tecnológica, maiores também são os riscos relacionados à confiabilidade, à proteção de dados e à responsabilidade profissional.
É a partir desse cenário que os autores apresentam o artigo “Advocacia Aumentada, Inteligência Artificial, Responsabilidade Jurídica e Governança Digital na Prática Institucional”, publicado em 5 de agosto de 2026, na Revista Tópicos, periódico classificado como Qualis A2.
O estudo examina de forma crítica e aplicada a incorporação da inteligência artificial na advocacia contemporânea, especialmente em ambientes institucionais de alta complexidade, como o das instituições financeiras.
O advogado diante de uma nova responsabilidade
Mais do que discutir ganhos de produtividade, os autores analisam uma mudança profunda no próprio papel do profissional do Direito.
Na chamada advocacia aumentada, a tecnologia amplia a capacidade de pesquisa, análise e produção jurídica, mas não substitui o dever de supervisão humana. Ao contrário: exige do advogado novas competências para avaliar riscos, verificar informações, proteger dados e compreender os limites dos sistemas utilizados.
O profissional passa, assim, a atuar também como gestor de risco tecnológico.
Essa transformação impõe uma questão decisiva: quem responde quando uma ferramenta de inteligência artificial produz informações falsas, utiliza dados de maneira inadequada ou influencia uma decisão jurídica sem os controles necessários?
Falhas de IA não são apenas erros técnicos
Um dos principais argumentos do artigo é que o uso não governado da inteligência artificial não pode ser tratado como um simples erro operacional.
Quando uma organização adota tecnologias sem protocolos, revisão humana, definição de responsabilidades ou mecanismos de segurança, o problema deixa de ser exclusivamente técnico e passa a representar uma falha estrutural na prestação do serviço jurídico.
Isso significa que instituições e profissionais precisam estabelecer regras claras sobre como a IA pode ser utilizada, quais informações podem ser inseridas nos sistemas, quem deve revisar os resultados e como eventuais falhas serão identificadas e corrigidas.
O advogado como gestor de riscos tecnológicos na era da inteligência artificial
O artigo dedica especial atenção à aplicação da inteligência artificial na atuação jurídica institucional no setor bancário, demonstrando como instituições de grande porte enfrentam desafios específicos relacionados à escala, à segurança da informação, à proteção de dados e à conformidade regulatória.
Nesse contexto, a IA pode contribuir para tornar atividades jurídicas mais eficientes, mas seu uso exige estruturas sólidas de governança.
Entre os temas discutidos estão a responsabilidade profissional, a governança algorítmica, a proteção de dados pessoais e a necessidade de compatibilização das ferramentas tecnológicas com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais — LGPD.
Casos concretos revelam os riscos da automação sem controle
A pesquisa também analisa casos paradigmáticos, entre eles Mata v. Avianca, ocorrido nos Estados Unidos em 2023, no qual informações jurídicas inexistentes, produzidas por uma ferramenta de inteligência artificial, foram apresentadas em um processo judicial.
O episódio tornou-se uma referência internacional sobre os riscos da utilização de sistemas generativos sem verificação adequada.
Além desse caso, os autores examinam decisões recentes da Justiça brasileira, demonstrando que os tribunais já começam a enfrentar situações envolvendo documentos, argumentos e informações produzidos com auxílio de inteligência artificial.
Esses precedentes reforçam uma conclusão essencial: a tecnologia pode auxiliar o trabalho jurídico, mas não elimina o dever de diligência, conferência e responsabilidade do profissional.
Governança digital como requisito de legitimidade
O artigo sustenta que a governança não deve ser vista como um obstáculo à inovação, mas como a condição necessária para que a inteligência artificial seja utilizada de maneira legítima, segura e responsável.
Isso envolve a criação de políticas institucionais, mecanismos de auditoria, critérios de transparência, proteção de dados, supervisão humana e definição clara de responsabilidades.
Sem esses elementos, a promessa de eficiência pode se transformar em insegurança jurídica.
Ao articular Direito, tecnologia e sociedade a partir dos referenciais da Ciência, Tecnologia e Sociedade — CTS, o estudo demonstra que os sistemas de inteligência artificial não são ferramentas neutras. Eles refletem escolhas, valores, interesses e estruturas institucionais que precisam ser examinados de forma crítica.
Uma contribuição para o futuro da advocacia
A publicação oferece uma contribuição relevante para advogados, magistrados, gestores jurídicos, instituições financeiras, pesquisadores e profissionais envolvidos na transformação digital do Direito.
Mais do que apresentar soluções tecnológicas, o artigo propõe uma reflexão sobre responsabilidade, confiança e legitimidade.
A advocacia aumentada não representa apenas a adoção de novas ferramentas. Ela inaugura uma nova etapa da prática jurídica, na qual o conhecimento técnico deve caminhar ao lado da ética, da governança e da supervisão humana.
Informações da publicação
- Título: Advocacia Aumentada, Inteligência Artificial, Responsabilidade Jurídica e Governança Digital na Prática Institucional
- Título em inglês: Augmented Legal Practice, Artificial Intelligence, Legal Liability, and Digital Governance in Institutional Practice
- Autores: Marcos Wachowicz e Luciana Reusing Wachowicz
- Área: Ciências Sociais Aplicadas
- Publicação: 5 de agosto de 2026
- Revista: Revista Tópicos — Qualis A2
- DOI: 10.70773/revistatopicos/785814148
Acesso ao artigo:
https://revistatopicos.com.br/artigos/advocacia-aumentada-inteligencia-artificial-responsabilidade-juridica-e-governanca-digital-na-pratica-institucional
Acesso ao PDF do artigo:
Artigo MW Advocacia Aumentada IA
Serviços:
- • Registro DOI: 10.70773/revistatopicos/
785814148 - • Link do artigo publicado: acessar artigo
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