Bens inteligentes, dados e Propriedade Intelectual: confira a palestra de Alexandre Libório Dias Pereira

Data Act europeu é tema de palestra no XXV Seminário Internacional de Propriedade Intelectual

A regulação dos dados gerados por bens inteligentes tornou-se uma das questões mais atuais do Direito Digital e da Propriedade Intelectual. Em um mundo cada vez mais conectado, automóveis, máquinas agrícolas, dispositivos médicos, equipamentos industriais, sistemas domésticos inteligentes, assistentes virtuais e serviços em nuvem produzem diariamente enormes volumes de dados.

A pergunta central já não é apenas quem coleta esses dados, mas quem pode acessá-los, utilizá-los, compartilhá-los e explorá-los economicamente.

Esse foi o eixo da palestra do Prof. Doutor Alexandre Libório Dias Pereira, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, intitulada O Regulamento dos Dados de ‘Bens Inteligentes’ na Europa, realizada online no dia 20 de maio de 2026, durante o XXV Seminário Internacional sobre Propriedade Intelectuale VI Encontro da Rede Ibero-Americana de Propriedade Intelectual – RIAPI. A conferência e todo o material utilizado já estão disponíveis gratuitamente para consulta.

Bens inteligentes, dados e Propriedade Intelectual: confira a palestra de Alexandre Libório Dias Pereira

A exposição tratou do Regulamento Europeu dos Dados — Data Act, uma das normas mais relevantes da União Europeia para a economia digital. A legislação estabelece regras harmonizadas sobre o acesso equitativo aos dados e sua utilização, em diálogo com outros instrumentos regulatórios europeus, como o Regulamento Geral de Proteção de Dados, o Regulamento de Governança de Dados, o Regulamento da Inteligência Artificial e a Diretiva sobre Bases de Dados.

Ao analisar o tema, o Prof. Alexandre Libório destacou que os dados se consolidaram como matéria-prima estratégica para novos produtos, serviços, inovação tecnológica e modelos de negócio.

A expansão da Internet das Coisas,  segundo o prof. Alexandre Libório amplia os desafios jurídicos relacionados aos chamados produtos conectados e serviços conexos, capazes de gerar informações relevantes para manutenção, seguros, assistência técnica, serviços pós-venda, desenvolvimento de softwares, inteligência artificial e mercados digitais.

Um dos pontos centrais está no direito dos utilizadores de acessar, utilizar e portar dados gerados por produtos conectados. O Data Act estabelece que esses dados devem ser disponibilizados de forma simples, segura, gratuita para o utilizador e em formato estruturado, de uso corrente e legível por máquina.

Essa regra pode transformar a relação entre fabricantes, consumidores, prestadores de serviços digitais e empresas que atuam com dados, especialmente nos setores de tecnologia, indústria, saúde, mobilidade, agricultura e computação em nuvem.

A palestra também abordou os limites dessa abertura. O acesso aos dados precisa ser compatibilizado com a proteção de segredos comerciais, confidencialidade empresarial, segurança dos produtos, propriedade intelectual e prevenção de uso indevido. O regulamento, portanto, não trata apenas de ampliar o acesso aos dados, mas de criar um novo equilíbrio entre inovação, concorrência, proteção jurídica e confiança nos mercados digitais.

A conferência permitiu compreender por que a regulação europeia dos dados se tornou um dos temas centrais da transformação digital contemporânea. Ao tratar dos chamados bens inteligentes, o Prof. Alexandre Libório Dias Pereira mostrou que a circulação de dados deixou de ser apenas uma questão técnica ou empresarial para se tornar um problema jurídico, econômico e regulatório de grande alcance.

Tópicos abordados na palestra

A exposição evidenciou que, na economia digital, produtos conectados não apenas prestam serviços: eles coletam, geram e comunicam informações com valor estratégico. Por isso, o debate sobre acesso, uso e compartilhamento de dados envolve consumidores, empresas, fabricantes, plataformas digitais, prestadores de serviços em nuvem, titulares de direitos de propriedade intelectual e autoridades públicas.

A economia dos dados como novo eixo regulatório europeu
A conferência apresentou o Data Act como parte de uma estratégia mais ampla da União Europeia para organizar juridicamente a economia dos dados. A norma busca definir regras mais claras sobre acesso, utilização, circulação e compartilhamento das informações geradas por produtos conectados, procurando equilibrar inovação, concorrência e segurança jurídica.

Bens inteligentes, Internet das Coisas e novos mercados digitais
O Prof. Alexandre Libório analisou como produtos conectados e serviços conexos — como automóveis inteligentes, máquinas agrícolas, dispositivos médicos, equipamentos industriais e assistentes virtuais — geram dados com relevante valor econômico e jurídico. Esses dados podem impulsionar serviços de manutenção, seguros, pós-venda, inovação tecnológica e novos modelos de negócio.

Direito de acesso, portabilidade e partilha de dados
Um dos pontos centrais da palestra foi o direito dos utilizadores de acessar e utilizar os dados que ajudam a gerar por meio de bens inteligentes. O regulamento europeu também permite que esses dados sejam compartilhados com terceiros escolhidos pelo próprio utilizador, desde que respeitadas condições transparentes, justas, razoáveis e não discriminatórias.

Propriedade intelectual, segredos comerciais e contratos digitais
A exposição destacou a tensão entre a abertura dos dados e a proteção de interesses empresariais legítimos. Foram abordados temas como segredos comerciais, confidencialidade, cláusulas contratuais abusivas, interoperabilidade, computação em nuvem, mudança entre prestadores de serviços e mecanismos de execução regulatória.

A atualidade da palestra também se revela pelas perguntas que ela suscita. Em um cenário no qual dados gerados por máquinas, sensores e sistemas inteligentes passam a alimentar modelos de negócio, plataformas digitais e aplicações de inteligência artificial, torna-se indispensável refletir sobre os limites jurídicos dessa nova economia informacional.

Três questões importantes para reflexão

Como garantir o direito de acesso aos dados gerados por bens inteligentes sem comprometer segredos comerciais, propriedade intelectual e segurança tecnológica?

De que forma o Data Act europeu pode alterar a relação entre consumidores, fabricantes, plataformas digitais, prestadores de serviços em nuvem e empresas que desenvolvem soluções com inteligência artificial?

O modelo europeu de governança dos dados pode inspirar novas regulações na América Latina e no espaço ibero-americano, especialmente diante da expansão da Internet das Coisas e da economia digital?

O GEDAI disponibiliza conferência sobre dados, bens inteligentes e regulação digital na Europa

A disponibilização gratuita da palestra e do material utilizado reforça o compromisso do XXV Seminário Internacional de Propriedade Intelectual e VI Encontro da RIAPI com a difusão aberta do conhecimento e com a formação de uma comunidade acadêmica e profissional preparada para compreender os impactos jurídicos da economia dos dados, da inteligência artificial e dos bens inteligentes.

Seminário Internacional disponibiliza material completo do prof. Alexandre Libório Dias Pereira

Ao disponibilizar gratuitamente a palestra e o material didático, o XXV Seminário Internacional de Propriedade Intelectual e VI Encontro da RIAPI amplia o alcance de suas discussões e fortalece o papel da cooperação ibero-americana na construção de respostas jurídicas para os novos desafios da sociedade informacional, da economia do conhecimento e dos acordos internacionais de comércio.

Todo o material de apoio da aula estará disponível para consulta no site do GEDAI, permitindo aos alunos aprofundar os conteúdos e acompanhar as questões propostas para reflexão.

Para ter acesso integral e gratuíto da gravação da palestra do prof.Alexandre Libório Dias Pereira está no CANAL DO YOUTUBE :   CLIQUE AQUI

Para ter acesso integral a todo o material utilzado na exposição : CLIQUE AQUI

Reg Dados Data Act

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